quinta-feira, 31 de outubro de 2013

EU ME QUERO DE VOLTA!



Um colega/amigo me disse que meus depoimentos são alarmantes.

A palavra foi muito bem colocada, pois o que pretendo é que os colegas fiquem com o alarme ligado. E não é o alarme contra incêndio, ao contrário. Sabe aquele fogo que queima dentro de você, aquela paixão avassaladora pela educação? Se a chama que resta se apagar “burn out”, não acende NUNCA mais. E não é só para o trabalho que não acende. Não acende para mais nada. NADA MESMO! Dificilmente você vai sorrir novamente, não vai mais a festas, reuniões familiares, você vai ser um anti-social.
O massacre que está ocorrendo com a nossa classe não começou e não termina com os episódios do Rio de Janeiro, ele é diário. Dentro de cada sala de aula lotada. Dentro de cada escola abandonada pelo sistema. Em cada palavrão, em cada gesto obsceno, em cada soco e empurrão. Nas provas para corrigir onde “casa” se escreve com z tanto quanto a “gasolina” do ENEM. Está no livro de chamada, onde não pode haver rasuras; um livro a ser preenchido com centenas de informações e que não é digital, no ano de 2013. O massacre psicológico das “caras feias” dos superiores, dos desmandes, do ECA, que pelo menos tem o nome que merece. O massacre da poluição sonora e visual.
O massacre começa na novela, passa pela música e destrói mesmo é na mídia comprada, nos conchavos sabe Deus de quem com quem e para o quê.

Resta-nos a indignação e o desesperador número de professores adoecidos. Entre eles eu, que não consigo pensar em outra coisa: EU ME QUERO DE VOLTA!!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pesquisa sobre sofrimento mental docente

Pesquisa sobre sofrimento mental docente
começa nas próximas semanas
A Secretaria de Saúde e Previdência da APP-Sindicato,juntamente com o Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (NESC/UFPR), iniciará nas próximas semanas a coleta de dados para a pesquisa científica sobre o sofrimento mental docente.
Queremos provar cientificamente o nexo causal entre trabalho e adoecimento para propor medidas ao governo de promoção e prevenção à saúde de nossas(as) professoras(es), como também cobrar direitos que hoje são negados, como aposentadoria por invalidez no trabalho.
Convocamos todos os docentes da rede estadual de
ensino para responder a pesquisa a fim de traçarmos um
diagnóstico preciso do adoecimento nas escolas. Em breve,
todas as orientações estarão disponíveis em nosso site.
A Secretaria de Saúde da APP-Sindicato lançará ainda este mês uma Campanha de Saúde dos Educadores. Serão vários depoimentos em vídeo contando a trajetória da vida profissional no magistério, uma carreira que muitas vezes é interrompida pelo adoecimento destas(es) profissionais.


Adoecimento dos educadores atinge números alarmantes

Adoecimento dos educadores atinge números alarmantes

A Secretaria de Saúde e Previdência da APP-Sindicato obteve números de adoecimento do Quadro Próprio do Magistério (QPM), comprovando a veracidade dos levantamentos feitos pelo próprio sindicato, em diversas ocasiões.
O Relatório Estatístico de Doenças no período de 2012, elaborado pela Secretaria de Administração e Previdência (Seap), concluiu que a principal causa de patologia no magistério são os transtornos mentais e comportamentais, com 9.550 casos comprovados.
Dentre os principais problemas mentais e comportamentais relacionados ao trabalho, destacam-se o estresse ocupacional, a depressão, o transtorno do estresse pós traumático e a síndrome de desistência do educador (síndrome de burnout).
Em segundo lugar no ranking das doenças do magistério estão as do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo, com 5.043 casos comprovados, especialmente os distúrbios osteomusculares
relacionados ao trabalho (DORT) e lesões por esforço repetitivo (LER).
Há aproximadamente 76 mil docentes (efetivos e temporários) nos quadros do Estado, sendo que destes 9.550 tiveram em 2012 problemas mentais e comportamentais, o que muitas vezes gera afastamento de função. A conclusão é alarmante: mais de 12% dos docentes apresentaram algum tipo de sofrimento mental no ano passado. No primeiro semestre de 2013, já se constataram mais de 4 mil casos de transtornos mentais e comportamentais, como também mais de 2.300 casos de doenças do sistema osteomuscular e
tecido conjuntivo.
Este quadro só comprova a necessidade de políticas públicas efetivas para a prevenção da saúde dos servidores da educação, seja pela ação preventiva, por uma política consistente de saúde do trabalhador, seja ainda por um sistema de atenção à saúde eficiente, que dê conta com rapidez dos
eventuais casos de adoecimento.